VI Congresso Internacional – Santuários, Cultura, Arte, Romarias, Peregrinações, Paisagens e Pessoas

6 a 12 de dezembro 2021 – Online

A LINGUAGEM REVELADA

Entre a última edição do Santuários que teve como tema “A morada como santuário” e o tema atual, “A linguagem revelada”, há como que um jogo de espelhos e inversões numa sutil conversação.

Há também ampliação e complementaridade, pois, se antes, partindo da morada, buscava-se adentrar nos domínios da linguagem (objetos, crenças, devoções, espiritualidades) como seu próprio preencher e revestir, desta feita, o ponto de partida é a própria linguagem, compreendida como um habitar ampliado do mundo. 

A assertiva de Heidegger de que a “linguagem é a morada do ser” é a chave que conecta esses dois planos ou temas.

Nesse sentido, em 2021, o campo se amplia à proposição de artigos e comunicações que se voltem para o domínio da linguagem, assumida não somente enquanto instrumento da comunicação, mas como dimensão anterior que a estabelece enquanto traço decisivo e distintivo da presença humana.

A perspectiva simbólica e interpretativa permite também que se articule linguagem e mundanidade e, reconhecendo com Gadamer que “aquele que tem linguagem tem mundo”, o VI Congresso Santuários se abre aos estudos e investigações das mais diversas conformações no universo da linguagem. Outro traço fundamental desta edição é a universalidade do tema como abertura para os agenciamentos e extratos culturais na conjunção entre suportes materiais e imateriais, ou seja, entre os estudos da linguagem e seus rebatimentos na performatização e materialização do mundo, nas formas de escrita, nas poéticas do texto e do verbo, na arquitetura, nas artes visuais, em suma, nas abordagens de espaços santuários nas suas mais diversas escalas.

O objeto de análise deste congresso, desafia todos aqueles que vivem e estudam os santuários, lugares de culto, cerimoniais e afins como antropólogos, arqueólogos, arquitetos, artistas visuais e performativos, literatos e linguistas, biólogos, conservadores/restauradores, crentes, devotos e peregrinos, curadores, escritores, designers, filósofos, gastrónomos, geólogos, historiadores, historiadores de arte, médicos, museólogos, músicos e musicólogos, psicólogos, sacerdotes, sociólogos e todos aqueles que entendam que o seu trabalho ou a sua devoção tem uma relação com um conceito amplo de santuários.

 Eixos Temáticos

  • Linguagem, materialidade e espiritualidade;
  • O Verbo, a escrita e as inúmeras formas da escritura como revelação do ser;
  • O sopro, a voz, o pneuma, os cantares, o dizer como decifração do mundo;
  • A linguagem como dramaturgia da existência;
  • A linguagem como construção e fabulação de imaginários: a apreensão do invisível, os mitos, os ritos, os cultos, ancestralidade e tradição;
  • Linguagens sagradas e matrizes Africanas, diásporas forçadas, diferentes representações, confluências de práticas espirituais e culturais;
  • Linguagens e cosmologias Indígenas, diversidade, identidade, natureza e espiritualidade;
  • Narrativas pessoais no encontro com o sagrado;
  • Linguagem e performatividade no sagrado;
  • As linguagens da Arte no sagrado;
  • A língua como cúmplice do local da cultura (territorialidade);
  • Novas linguagens e processos de difusão do sagrado.

Subtemas

Os subtemas, cultura, arte, romarias, peregrinações e paisagens remetem-nos para as diferentes dimensões das linguagens dos santuários:

  • Espaços de grande investimento da cultura popular e erudita com áreas urbanizadas, povoadas de estruturas arquitetónicas, com forte presença da linguagem da pintura, da escultura e de outras artes;
  • Espaços de romarias onde as festas materializam um fenómeno social total, com a música, a dança, a palavra, o canto, a comida e as roupas a protagonizarem a dimensão da linguagem popular na vivência dos santuários;
  • Espaços de peregrinação em que linguagem do ritual religioso constitui a essência do santuário, com o caminho do sacrifício, as celebrações litúrgicas, as procissões, as bênçãos, os cantos e rezas, a palavra, a homilia e os sermões.
  • Espaços de paisagens naturais (geológicas e biológicas), com linguagens marcantes e singulares.